20/07/2015

O mundo hiperconectado da "internet de tudo" começa a se tomar realidade, afirma a União Internacional de Telecomunicações (UIT). No relatório "Tendências na Reforma das Telecomunicações 2015", divulgado na sexta-feira, a organização observa que há uma proliferação de dispositivos inteligentes e serviços, paralelamente à adoção crescente da banda larga pelas pessoas. A constatação é que não só os seres humanos estão cada vez mais conectados via web, mas também as coisas.

Segundo a UIT, a "internet das coisas" (IoT, que conecta diferentes dispositivos à internet), e as comunicações de "máquina para máquina" (M2M) através de redes celulares móveis já emergem como os serviços de tecnologia da informação e comunicação (TIC) de mais rápido crescimento em termos de tráfego na rede.

Haverá cada vez mais dispositivos "wearable" - criados para ser "vestidos" por seus usuários - fazendo a interação entre computador e consumidor. Por exemplo, lentes de contato, relógios, monitores de atividade física, aparelhos para medir pressão, equipamentos de monitoramento da fertilidade das mulheres todos eles se conectando ao smartphone ou tablet.

Os dispositivos de vestir podem ter alcançado 109 milhões de unidades vendidas globalmente em 2014. A expectativa é que um bilhão de dispositivos sem fio relacionados à "internet das coisas" sejam vendidos neste ano, um salto enorme em relação ao ano passado, totalizando uma base instalada de 2,8 bilhões de equipamentos conectados até o fim do ano.

A projeção é que 25 bilhões de dispositivos em rede estejam conectados até 2020, impulsionados sobretudo por coisas conectadas ao consumidor (comércio, hospitais, autoridades locais etc), seguidas por indústrias e transportes. Para a UIT, tudo isso vai transformar de maneira irreversível o conceito de internet e de sociedade conectada.

Segundo a organização, o faturamento do mercado de "internet das coisas" pode crescer para US$ 1,7 trilhão até 2019, tomando-se o maior mercado global de dispositivos.

A demanda por tablets está crescendo em ritmo menor, com previsão de alcançar 234,5 milhões de unidades vendidas neste ano. Espera-se um declínio nas vendas globais de PCs e de laptops nos próximos quatro anos.

Além disso, 1,4 bilhão de smartphones poderão ser vendidos globalmente neste ano, superando as vendas conjuntas de PCs, aparelhos de TV, tablets e consoles de videogame, tanto em unidades como em faturamento. O total de smartphones no mundo chegará a 2,2 bilhões de aparelhos em 2015. Isso significa que, para muitos consumidores de países em desenvolvimento, a primeira experiência com a internet deverá ser por meio desses aparelhos.

A expectativa é que as vendas de smartphones cresçam nos próximos cinco anos, sobretudo nos países em desenvolvimento, onde muita gente ainda não está conectada à internet. Basta ver que 3 bilhões de pessoas usavam a web no fim de 2014, mas 4,3 bilhões ainda estavam sem conexão.

Com a proliferação de dispositivos móveis, os telefones e os computadores de vestir vão fazer parte de um ambiente de computação expandido, provocando um aumento enorme do tráfego na rede.

Pelas projeções da UIT, o mercado global de banda larga fixa vai crescer 3% ao ano. As operadoras móveis vão tentar gerar retomo sobre os investimentos a partir de suas redes de 3G e 4G, oferecendo novos serviços e pacotes de preços diferenciados para tomar mais eficiente o uso de suas redes.

A expectativa é que as operadoras venham a investir até US$ 1,7 trilhão na infraestrutura 4G entre 2015 e 2020. A China Mobile tomou-se, em janeiro, a maior operadora móvel no mundo, superando a americana Verizon.

O relatório destaca também que a proliferação dos aplicativos está transformando os usuários em "consumidores digitais sociais". Em janeiro, havia 2,07 bilhões de contas ativas nas redes sociais. Um usuário médio gasta duas horas e 25 minutos por dia nesses sites, e o impacto econômico desse tipo de uso não tem passado despercebido de profissionais de marketing e publicitários.

Ao mesmo tempo em que têm novas oportunidades, os consumidores enfrentam novos desafios. Por exemplo, de privacidade. Cresce o número de pessoas que foram rejeitadas para uma vaga de emprego por causa de seu perfil ou de comentários feitos na rede social. Daí, para a UIT, a importância de o usuário poder apagar seu histórico nas redes.

A UIT sublinha igualmente o "dilúvio" de dados. A cada hora, mais de 100 milhões de fotos são publicadas no Facebook. Dados cujo custo para ser estocados eram de US$ 150 mil em 1970 são, hoje, armazenados por um centavo de dólar.

Fonte: Assis Moreira - Valor Econômico