31/03/2015

Antes do telégrafo, leitor esperava meses pela notícia.

O Brasil foi tema de reportagem logo após ser descoberto. Na abertura de sua famosa carta, escrita em 1º de maio de 1500, Pero Vaz de Caminha avisa o rei de Portugal: "Creia bem por certo que, para aformosear nem afear, não porei aqui mais do que aquilo que vi e me pareceu".

Manuel I, o Venturoso, demorou 53 dias para saber que seu reino havia crescido consideravelmente. Os meios de comunicação evoluem de acordo com a velocidade da tecnologia de transmissão de informação. Se, antes do telégrafo, os leitores recebiam as notícias em semanas ou meses, no meio do século 19 a tecnologia fazia a riqueza mudar de mãos em horas. O alemão Paul Julius Reuter se deu conta disso e, depois de experimentar o envio de notícias via pombos-correios, começou a transmitir dados da bolsa de Londres para a Europa continental por meio de cabos submarinos em 1851. A Reuters, hoje, é a maior agência de notícias e de informações econômicas do mundo. O Estado, já em seus primórdios, exibia na capa notícias que chegavam "pelos cabos". O jornal tinha uma coluna chamada "Telegrapho", com as novidades mundiais.

O escritor Euclides da Cunha se valeu dos cabos para enviar seus relatos sobre a cobertura da quarta campanha do exército republicano contra a comunidade de Canudos, em 1897. Antes já havia publicado artigo intitulado a "A nossa Vendeia", no qual comparava o conflito baiano a um episódio da Revolução Francesa, em que o novo governo reprimiu camponeses contrários ao alistamento militar obrigatório. A cobertura de Euclides da Cunha para o jornal deu origem a um dos maiores clássicos da literatura brasileira, Os Sertões.

No século 20, o Estado se valia de telefotos, enviadas por telefone, e do telex, uma rede de terminais que transmitiam textos ao redor do mundo. No Brasil, o telex tinha limitações. O texto chegava apenas em maiusculas e sem acentos, o que dificultava o trabalho dos redatores. Outra forma mais simples de receber informações: a redação era equipada com "cabines telefônicas". O repórter transmitia a apuração da rua para alguém na tal cabine - que fazia o texto chegar aos redatores. O modelo era o padrão até o final do século 20, quando surgiu a informatização. Com monitores de fósforo verde, repórteres do jornal usavam a "marmita", um avô pesado do notebook, para transmitir por cabo telefônico. A chegada do e-mail e da transmissão de arquivos em banda larga sepultou o jeito heroico de fazer jornais.

Fonte: O Estado de S. Paulo