05/03/2015

Características turbinadas fazem novos celulares ficarem mais parecidos.

Tablets sofrem, e computadores vestíveis devem mexer com mercado.

Tela de 5 polegadas, processador que não fará games engasgarem ao carregar a próxima fase, câmeras que se atrás captam boas imagens até nas mãos dos fotógrafos mais inaptos, na frente tem capacidade de registrar selfies que dispensam os onipresentes paus-de-selfie.

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As características descrevem os smartphones lançados durante o Mobile Word Congress (MWC) 2015, e é bom se acostumar a elas. Segundo especialistas ouvidos pelo G1, os aparelhos pararam de "crescer" e a briga agora será para fugir da mesmice.

Os vários modelos de pulseiras e relógios conectados podem ser esse sopro de mudança, assim como opções de design, desde que tenham alguma utilidade a "tela infinita" do Galaxy S6 Edge é um exemplo, mas precisa ser mais integrada a recursos para não ser apenas peça de decoração.

Durante a feira, em Barcelona, foram lançados, entre outros aparelhos, os smartphones Zenfone 2 (Asus), os Lumia 640 e 640 XL (Microsoft), o Xperia M4 Aqua (Sony) e os novos celulares da linha Galaxy S (Samsung).

"O próximo front de batalha é a experiência do usuário, não é mais sobre os recursos. Infelizmente isso pode afetar alguns players porque é somente isso que eles têm", sentencia Roberta Cozza, diretora de pesquisa da consultoria Gartner.

Todos os aparelhos citados rodam Android, o que, para a especialista, pode tornar ainda mais difícil para o consumidor diferenciar um do outro. "Infelizmente, no mercado de Android você pode escolher o aparelho que for, e ele sempre será um celular Android".

"Se você apenas falar sobre as especificações de tecnologia, não vai sobreviver", diz Cozza. "Porque você escolheria uma marca em vez da outra se o hardware é o mesmo?"

Alguns dos novos recursos, no entanto, já sinalizam serem mais do que atualizações. Exemplo disso, diz Cozza, são as bordas curvas do S6 Edge. Com elas, é possível ter algumas funções diferentes, como acesso rápido à contatos mais frequentes e informações de horário, temperatura, mensagens e notificações de apps mesmo enquanto o aparelho está desligado.

Para ela, porém, a Samsung tem de dar um passo adiante e integrar a "tela infinita" ao seu ecossistema. Durante o MWC, a fabricante sul-coreana mostrou seu sistema de pagamentos por aproximação, que vai concorrer com o Apple Pay e que se junta às funções "fitness".

Lançado em setembro de 2014, o iPhone 6 Plus, da Apple, também vai nessa linha: o tamanho espichado do celular faz a exibição de um mesmo app mudar caso o smartphone seja posicionado na horizontal ou na vertical.

Apesar do sucesso, o aparelho grandinho da Apple, de 5,5 polegadas, não deve ditar regra no mercado nem servir de exemplo parar outras empresas. "O mercado foi padronizado em torno das 5 polegadas",diz Cozza. "Essa é a tendência".

"O que a gente vê hoje é que mais de 70% dos telefones que são vendidos no mercado brasileiro têm uma tela de 4,5 polegadas para cima", afirma Roberto Soboll, diretor de produtos da Samsung. "É bobagem imaginar que o telefone só tende a crescer e no futuro ter só telas de 5,5 polegadas".

Para Soboll, com o tamanho que os smartphones possuem atualmente, porém, eles já colocam em risco a existência dos tablets, que, além disso, sofrem com uma escassez de apps próprios. O presidente da Sony Mobile no Brasil, Ricardo Junqueira, concorda. "Começa a ter uma certa canibalização pelos smartphones de tela grande".

"O mercado de tablets já atingiu sua maturidade porque os consumidores que podiam comprar, já compraram", completa a analista da Gartner.

"Existe essa teoria. Eu diria que vale muito mais para o exterior do que para o Brasil. Se você pensar na nossa realidade, tem tablets que estão abaixo de R$ 500. Difícil falar que um produto [Galaxy S6 e S6 Edge] desse nível vai canibalizar o tablet", afirma Soboll.

A corrida para o smartphone se tornar mais útil será impulsionada pelos relógios e pulseiras inteligentes, os "computadores vestíveis". "Eu acho que os 'vestíveis' são um negócio que veio para acrescentar e talvez mudar a dinâmica da indústria de smartphone, porque sozinhos não são nada", diz Junqueira. Se a tendência se confirmar, a próxima disputa, que já foi pelos olhos e pelos bolsos dos consumidores, será pelos pulsos.

Fonte: G1 - Globo