03/03/2015

Aindaem plena fasedeimplantação darede dequarta geração de serviços móveis (4G ),o grupo espanhol Telefónica já está testando funcionalidades de 5G sobre a infraestrutura de 4G em vários mercados como o Brasil, outros países da América Latina e a Espanha. A tecnologia, conhecida como LTE-Advanced, está em desenvolvimento em parceria com a Ericsson. Envolve funções que a operadora imagina que os consumidores vão querer usar nos próximos dois ou três anos, embora a tecnologia plena para 5G, ainda em desenvolvimento, tenha previsão de lançamento só em 2020.

O tema está sendo discutido no Mobile World Congress, evento de telecomunicaçõesem Barcelona. As novas funcionalidades situarão a rede atual em uma fase intermediária, que pode batizar a rede de 4,5 G ou 4G plus. A tecnologia já está pronta, diz Jesper Andersen, diretor de marketing da Ericsson para América Latina. Sua implantação depende de plano comercial e investimentos da tele.

O lançamento comercial da nova rede 4G dependerá do amadurecimento do projeto em cada país, diz Enrique Blanco, diretor-geral de tecnologia da TelefónicadaEspanha. Mesmono casodo Brasil, segundo ele, ainda não é possível estabelecer prazos; o novo serviço tem que ser viável ecom qualidade para os clientes.

A decisão de começar a antecipar funções de 5G se deve à competição no mercado, diz Blanco. A empresa não quer perder espaço para concorrentes. Em 4G já tem 40% da população coberta pela infraestrutura e, o que considera mais importante, é o esforço para conectar as estações radiobase para fazer toda a transmissão, levar o tráfego. "Não é quanto vai custar à Telefónica, é quanto a Telefónica vai continuar atenta para implantar a 4G", disse Blanco.

A evolução da tecnologia permite que se agregue várias faixas de frequência na mesma portadora, ou estação radiobase (ERB). Com isso, é possível usar o sinal de modo mais eficiente e obter melhor uso dos recursos da rede. A velocidade chega a 375 megabits por segundo na LTE avançada que está em demonstraçãono congresso mundial,diz Blanco, daTelefónica. Basicamente é a mesma velocidade da rede 4G, só que a operadora não precisa limitar a 1 Mbps para cada usuáriocomo acontece hoje, diz Andersen. A velocidade entregue é a mesma que estiver disponível quando a demanda existir. Se o cliente tem a segurança de uma rede mais veloz, a operadora terá mais capacidade para colocar mais usuários na rede.

No Brasil, estão em uso as faixas de 800 MHz e 2,6 GHz. A frequência de 700 MHz, vendida em leilão pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel ), no ano passado, ainda precisa ser desocupada pelas emissoras de TV aberta para que as operadoras que compraram a faixa implantem o serviço. No evento de Barcelona, a Telefónica demonstra a tecnologia com todo o seu espectro disponível, queincluiafaixa de1,8GHz, com o smartphone Galaxy Note 4, da Samsung.

No mundo, a LTE-Advanced só entrou em fase comercial na SK Telekom, da Coreia; Singtel, de Cingapura; e Telstra, da Austrália, diz o diretor da Ericsson.

O diretor da Telefónica estima que os maiores potenciais para a nova rede são para a internet das coisas, como é chamada a comunicação entre máquinas (M2M), e cidades inteligentes. "Há muitas funcionalidades de5G que podemos antecipar", afirmou ele ao Valor. "Não vamos esperar nada".

O investimento é basicamente em software e rede de transmissão, quesão os cabos de fibra ópticaou de rádio que interligam as estações radiobase, e no subsídio aos aparelhos celulares para os clientes. O valor depende da infraestrutura de cada operadora, mas Blanco não informou quanto a Telefónica está aplicando no projeto. (A repórter viajou a convite da Ericsson.

Fonte: Ivone Santana - Valor Econômico