02/02/2015

O prazo da Anatel para as redes estarem completamente integradas ao novo protocolo da Internet é julho desse ano e para Robson Wander, gerente da área de vendas IP da TIM Brasil, é plenamente factível de ser operacionalizado. Os provedores Internet estão umpasso atrás e, para as teles, o desafio é tornar a mudança do IPv.4 para o IPv.6 transparente para o usuário final.

"Hoje apenas os celulares mais caros têm suporte ao IPv.6. Os mais comuns não oferecem esse suporte. Na banda larga, também será realizadauma troca dos modems. Não vejo o usuário comprando um celular novo por conta do IPv.6. Isso acontecerá de acordo com a evolução da própria base", avalia Wander.

Na prática, aTIM está finalizando o seu dever de casa. Segundo Wander, em entrevista exclusiva ao portal Convergência Digital, o backbone IP já é 100% IPv.6. O novo protoloco da Internet já está também ativo nos 21 pontos deconectividade (trânsito) para o atendimento a clientes corporativos.

Além disso, os acordos de peering (troca) já acontecem somente em IPv.6. No serviço móvel e residencial de banda larga, o momento é de testes. A solução já está em funcionamento no laboratório. "Estamos adequando a solução à nossa TI para acertar billing e tudo o mais", informa Wander. Indagado se o prazo da Anatel era 'apertado', Wander garantiu que não.

"A definição deumprazo pela agência reguladora foi muito umportante. Há umecossistema que precisa se mobilizar como os fornecedores de equipamentos e de plataformas de rede, além das teles, provedores de conteúdo e de internet. E todos estão mobilizados. Uns mais à frente, outros mais atrás", pondera Wander. Nessa linha dos que estão mais distantes, o executivo da TIM coloca os provedores Internet.

Muitos deles adotaram o NAT44 ou CGNAT, uma solução transitória para o esgotamento de endereçamentos no IPv4 no mercado. "O NAT foi um mal necessário, até porque ele traz uma complexidade maior para as redes, mas, agora, precisamos ter o IPv.6 efetivado. O IPv.4 se esgotou para as teles e para os provedores", diz Wander.

De acordo com a TIM Brasil, para atender aos mercadosmóvel eresidencial, estão sendo realizados testes e, nesta fase de transição, a operadora disponibilizará as duas soluções simultaneamente (dual stack), o uso deumIP ou de outro dependerá da compatibilidade dos equipamentos dos usuários.

Segundo dados ainda recentes apurados pela TIM, 53% das páginas da Internet já são compatíveis com o IPv.6, mas a adoção efetiva segue de forma mais lenta.NosEstados Unidos, são 14%.NaEuropa, o índice varia entre 0,3% e 5%. A América Latina está mais atrasada, com o Brasil à frente dos países da região, mas com apenas 0,17% das páginas atualizadas.

Os endereços de IP (Rede Nacional IP Multiserviço) são números únicos utilizados para identificar os mais variados tipos de dispositivos utilizados para conexão na rede de dados, tais como, computadores, smartphones e tablets.Composto por mais de 4,2 bilhões de números, o IPv4 vem sendo utilizado desde o início da comercialização da internet, na década de 90.

A mudança aconteceu em função do esgotamento destes endereços com a ampliação do uso dos aparelhos eletrônicos. Para aumentar os números de IP disponíveis foi criado o IPv6, que representa aproximadamente 79 octilhões (7,9×1028) de vezes a quantidade de endereços do protocolo anterior.

Fonte: Convergência Digital