14/01/2015

O presidente do grupo Telefônica/ Vivo , Antonio Carlos Valente, disse ontem que o aperto fiscal proposto pela nova equipe econômica do governo poderá impactar o setor de telecomunicações se houver corte das desonerações para a construção de novas redes de serviço.

"O setor sempre conviveu com nenhuma desoneração. As únicas que aconteceram foram nos últimos dois anos", afirmou ao se referir à retirada de tributos sobre equipamentos de redes de fibra ópticas, radiofrequência e satélite. O benefício foi concedido pelo governo federal no primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff.

Valente observou que, "como brasileiro", teria que entender se algum aspecto macroeconômico obrigasse o governo a fazer um ajuste. Porém, reforçou que tais medidas causariam consequências sobre o setor. "Para nós, certamente, isso terá algum impacto", disse o executivo ao sair de reunião com o ministro das Comunicações, Ricardo Berzoini.

O executivo também afirmou que o grupo aguarda uma posição do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) sobre operação de compra com GVT para fechar plano de investimento para o triênio 2015-2017. "Só quando o Cade aprovar a operação nós vamos ter reuniões de trabalho mais intensas para fechar os números", afirmou.

A operadora, controlada pela espanhola Telefónica, espera que a transferência do controle da GVT, detida atualmente pela francesa Vivendi, seja definida pelo órgão antitruste até o fim do primeiro semestre de 2015.

Para o período de 2011 a 2014, Valente avalia que a Te lefônica/ Vivo ultrapassou a meta de investir R$ 24,3 bilhões no Brasil. "Não fechamos o ano de 2014 ainda, mas estamos cumprindo com sobras o compromisso que assumidos com a presidente Dilma [Rousseff] em janeiro de 2011", disse.

Com o ministro, Valente disse que teve uma reunião de apresentação em que discutiu o panorama de investimentos e as potencialidades do setor de telecomunicações. Segundo ele, foi falado sobre as possibilidades de tecnologias de informação e comunicação melhorarem os serviços públicos, como saúde, educação e segurança.

Sobre a revisão de contratos de concessão dos serviços fixos em 2015, Valente afirmou que o tema foi tratado rapidamente como uma das discussões importantes do ano. "Não fomos muito específicos ao falarmos desse assunto", afirmou. O principal executivo da Vivo disse que o ministro "mais ouviu do que falou" durante o encontro.

Fonte: Rafael Bittencourt - Valor Econômico