02/09/2014

Superados os embates pelo leilão da faixa de 700 MHz, a Anatel já prevê que até meados do próximo ano vai vender mais um punhado de espectro – notadamente sobras de leilões anteriores, além de fatias “recuperadas”, como os privilegiados nacos de 900 MHz e 1,8 GHz que eram da Unicel.

“Vamos fazer esse leilão até junho do ano que vem, com muitas sobras, inclusive em 1,8 GHz, 2,5 GHz e 3,5 GHz”, promete o presidente da Anatel, João Rezende. O TCU analisa formalmente o mérito do edital de 700 MHz na sessão desta quarta, 3/9, mas a agência entende que esse tema está superado.

Segundo o superintendente de Planejamento e Regulamentação, José Bicalho, a oferta será grande. “Temos o mapa de onde estão todos os ‘buraquinhos’ no Brasil. São mais de 5 mil lotes, para grandes prestadores, como na faixa de 3,5 GHz, e para pequenos, lotes menores, por município, em 2,5 GHz”, explica.

Na agência avalia-se que existe tecnologia, equipamentos e interesse em ofertar serviços variados por diferentes portes. Bicalho adianta, no entanto, que a preparação desse novo leilão implicará em mudanças desde o formato da licitação até a definição de valores mínimos.

“Vamos adquirir ou desenvolver um sistema de leilão eletrônico. E temos que discutir o próprio modelo de precificação. São faixas de complemento, onde já se oferece um serviço e há interesse em aumento de capacidade”, diz o superintendente. Mas a ideia é permitir multidestinação do uso.

Como ele mesmo indicou, a cesta inclui nacos apetitosos do espectro, como os 5+5 MHz que a Unicel detinha na faixa de 1,8 GHz em São Paulo, ou os 5 MHz que agora TIM utiliza temporariamente em caráter secundário na faixa de 900 MHz. E há largos pedaços em 2,5 GHz para operações TDD (como os 35 MHz da banda U).

Mesmo a faixa de 3,5 GHz, que se tornou um problema para a agência pela interferência na Banda C (parabólicas), já é vista com tranquilidade. “Depois que superamos a questão em 700 MHz, muito mais difícil, muito mais utilizada, não vemos dificuldades em algo que se resolve com banda de guarda”, diz Bicalho.

Fonte: Luís Osvaldo Grossmann - Convergência Digital