As ondas (ou campos) eletromagnéticas como os utilizados na telefonia celular encontram-se na natureza ou são produzidas por tecnologias desenvolvidas pelo homem. A fonte mais comum de ondas eletromagnéticas é o sol, que produz a radiação infravermelha, a luz visível e a luz ultravioleta.
As ondas eletromagnéticas são classificadas de acordo com sua freqüência, ou número de oscilações por segundo. A unidade que mede a freqüência das ondas eletromagnéticas é o Hertz, que corresponde a um ciclo (ou oscilação) de onda por segundo. Por exemplo, quando você procura sintonizar a rádio FM 96.3, você está em busca de uma estação que transmite um sinal de rádio FM na freqüência de 96.3 MegaHertz (1 MegaHertz = 1 milhão de Hertz).
Os campos eletromagnéticos de baixa freqüência são usados na geração, transmissão, distribuição e utilização de energia elétrica. Os campos de radiofreqüência são empregados na telefonia celular, nas transmissões de rádio e TV, nas redes de comunicação sem fio, nos sistemas de radiocomunicação e nos fornos de microondas, por exemplo.
Radiação
A radiação pode ser ionizante e não ionizante. A radiação ionizante — de altíssima freqüência — libera grandes quantidades de energia que podem danificar tecidos do corpo humano. No caso da radiação não ionizante, como é denominada a radiação emitida pelas ondas de rádio utilizadas na telefonia celular, a energia não é suficiente para isso e causa apenas o aumento de temperatura, ou efeito térmico.
A radiação emitida pelas antenas instaladas em torres ou mastros tem valor insignificante, mesmo com uma exposição contínua. Na realidade, o nível a que estamos expostos devido à radiação emitida pelas antenas é de 50 a 1.000 vezes menor que o patamar de segurança estabelecido pela regulamentação da Anatel, que utiliza, no Brasil, os padrões recomendados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) sob orientação da Organização Não-Governamental Comitê Internacional de Proteção da Radiação Não Ionizante (ICNIRP, na sigla em inglês)
Segurança da tecnologia
O patamar de segurança é estabelecido a partir das condições de exposição do corpo humano, que são determinadas pela taxa de absorção específica (SAR, na sigla em inglês). A SAR indica a taxa média por quilograma (Watts por kg) pela qual a energia é absorvida. Os valores recomendados pela OMS correspondem à menor taxa de absorção que causa efeitos biológicos potencialmente negativos (aumento de 1º C na temperatura do corpo pela exposição a 4 W/kg durante 30 minutos), por precaução dividida por 10, para a exposição de trabalhadores, e novamente dividida por 5, para o público em geral.
Isso significa uma SAR de 0,4W/kg para os trabalhadores expostos a ondas de radiofreqüência e de 0,08W/kg para os usuários da telefonia celular, valor 50 vezes menor que o mínimo.
Pesquisas
Há também o temor de que efeitos não-térmicos da exposição aos campos eletromagnéticos da telefonia celular prejudiquem a saúde. Há mais de 50 anos a comunidade científica internacional estuda o assunto, e não encontrou evidências testadas, revisadas e validadas para justificar alterações nos limites de exposição atualmente praticados.
Apesar disso, pesquisas científicas continuam sendo realizadas em todo o mundo, sob atenção permanente da OMS, que mantém, desde 1996, o Projeto Internacional Sobre Campos Eletromagnéticos (EMF Project) com o objetivo de dar resposta internacional e coordenada às dúvidas existentes nessa área.
A OMS estima que já foram gastos, em todo o mundo, mais de U$ 250 milhões em pesquisas sobre esse assunto. Outros U$ 130 milhões deverão ser gastos até 2014 em estudos realizados por cientistas de outros países europeus, além de Estados Unidos e Austrália. Até o momento, informa a entidade, “não existe evidência científica convincente de que os fracos sinais de radiofreqüência provenientes de estações rádio-base e de redes sem fio causem efeitos adversos à saúde”.